Viva la Vida!

     

Quarta-feira, Janeiro 16, 2008


Pós-post
Pode ter sido porque estava muito cansada, porque foi aqui pertinho, porque resolvi ser rebelde..... Mas as duas semaninhas que passei entre Argentina e Uruguai não relatei aqui.

Quarta-feira, Dezembro 05, 2007


esse trânsito todo é o Natal chegando?

Sexta-feira, Novembro 09, 2007


passei por aqui

Terça-feira, Outubro 23, 2007


um dia as fotos chegam.

Sexta-feira, Julho 27, 2007


O cheiro da muralha
Tem lugares com os quais a gente sonha a vida inteira. Eles entram na nossa cabeça via histórias romanceadas, livros escolares, relatos de amigos, programas de TV e ficam lá, ganhando forma, aumentando ou diminuindo na importância de acordo com as experiências que vamos acumulando. Esperam pela checagem final, que acontece quando finalmente os visitamos e, via de regra, substituímos pela realidade. Chegar a Muralha da China, vê-la de perto e subir até quase bater no teto do céu foi desses momentos de verdade.
Já tinha acontecido comigo em outras ocasiões. Foi como ver o Taj Mahal e as pirâmides do Egito, por exemplo. A gente geralmente idealiza esses monumentos como algo isolado, sem o estacionamento de ônibus ali ao lado, a estrada que atrapalha a foto clássica e a indefectível bilheteria antes da entrada principal.
No caso da muralha, a lembrança que vai ficar para sempre comigo é a do cheiro. Cheiro de gente, milhares de pessoas se acotovelando pelas escadas irregulares, sofrendo e suando até chegar ao ponto mais distante que o corpo permite. Lembrança que livro, foto ou programa de TV algum pode dar. Só vivendo mesmo.


China Express
Minha estada na China se resumiu ao caminho percorrido até Pequim e quatro dias na cidade. Pouquíssimo tempo para um país e especialmente uma cidade com tanto para ver. Só entre Muralha, Cidade Proibida, Palácio de Verão e Templo do Céu, os dias passaram com pouquíssimo espaço para experiências de rua (simples caminhadas sem destino – coisa que acho fundamental para entender como funciona uma cidade). Detesto a sensação de ver passar a vida da janela de uma van com ar condicionado entre um ponto turístico e outro. Por isso, no último dia, com um vôo marcado para as 5h da madrugada seguinte, fiz questão de sair para um passeio descompromissado. Pouco, mas suficiente para sentir o cheiro da comida, ver o comércio de rua e sentir a vibração do final de um dia de semana. Suficiente também para quase cair em um golpe de ladrãozinho pega-turista. Mas esse caso conto depois.


China – primeira impressão
Muita, muita, muita gente



Entrada triunfante


Cansada, coberta de poeira e com muito sono, cheguei à fronteira da Mongólia com a China no meio da noite. Valeram as quase quatro horas de espera passadas em claro na espera da troca de bitolas do trem. Um processo interessantíssimo. Medida de segurança do governo Chinês, preocupado com possíveis invasões por via ferroviária, todos os trens que chegam a China têm que passar por uma adaptação para correrem pelos trilhos do país -- diferentes daqueles que se encontra em todo o resto do mundo.
Um pouco insólito, sim. Mas o que você esperaria de um país que em outras épocas contruiu uma muralha de 10 mil quilômetros para se proteger do exterior?





A vida no trem


Apesar de rota clássica de mochileiros, a transiberiana e a transmongólia levam todo tipo de gente: famílias inteiras, grupos de velhinhos, casais em lua-de-mel, gente em pacotes turísticos e, claro, muitos dos habitantes dos países rasgados pelos trens. Essa mistura agregada a proximidade em que as pessoas são obrigadas a ficar por tanto tempo (o trecho da Mongólia a China leva mais de 30 horas, por exemplo), gera cenas interessantes. Fora isso, dependendo da nacionalidade de quem opera o trem, a experiência pode ser completamente diferente. Enquanto as tripulações russas dão um tom severo e quase nervoso à viagem, os trens operados por mongóis permitem troca de cabines entre passageiros, comércio de mercadorias lícitas ou não e transporte de contrabando. A corrupção corre solta e despudoradamente. Não preciso dizer que, caso você caia num trem da Mongólia, tem que quintuplicar a atenção sobre suas coisas.



Divagação sobre desertos
Desta vez, o vagão estava cheio de estrangeiros. Dividi a cabine com uma família holandesa. Pai, mãe e três filhas de 5 a 10 anos que faziam o percurso desde Moscou. O trem não demorou para sair dos limites da cidade e entrar em um imenso campo aberto. Cada vez mais esparsos, gers ladeados por seus rebanhos apareciam de vez em quando para quebrar a monotonia. A vegetação foi ficando escassa e a vasta planície abriu espaço para o deserto de Gobi. Foram quilômetros de areia, céu e calor.
Meu plano original de viagem previa uns quatro dias aqui, mas tive que me contentar com a travessia por falta de tempo.
Adoro desertos. Onde aparentemente não há nada, você fica mais consciente de si e do que realmente precisa para continuar funcionando.



Quarta-feira, Julho 25, 2007


Nomadismos artificiais
No meu segundo dia na Mongólia, fiz uma curta visita ao Parque Nacional Terelj, perto de Ulan Bator. Relevo montanhoso, muito bonito e agradável, o parque é desses lugares em que a gente sempre encontra algum motivo para ir ficando.
Atentos a esse apelo, não faltam empresários interessados em proporcionar meios para que turistas com tempo, dinheiro e curiosidade pelo exótico estilo de vida mongol tenham oportunidade de esvaziar o bolso e encher os memory cards com imagens pitorescas. Agora, por exemplo, é possível hospedar-se no parque em um dos muitos gers, ou estruturas parecidas que, lado a lado, vêm pontilhando a paisagem. São os “ger camps”, vendidos nos folhetos distribuídos aos montes em Ulan Bator como a grande oportunidade de dormir em uma típica casa nômade. Menos típicos são o restaurante com comida internacional e os banheiros em alvenaria logo ao lado. Conforto indispensável para europeus à procura de um pouco de aventura controlada. E para convencer qualquer incrédulo da veracidade da experiência, é no parque que também se tem a oportunidade de visitar uma típica família nômade. Curiosamente, aqui os móveis são exatamente os mesmos utilizados nos ger camps dos turistas. Mesma cor, mesma disposição. Você é convidado a entrar, a anfitriã enche a mesa de comida típica, o guia traduz as boas-vindas e criancinhas fotogênicas, que tão cedo já têm o emprego de ser criancinhas profissionais, aparecem para dar um ar fofo ao cenário. Você dá uma bicadinha no leite de égua, come uma ou outra iguaria indefinida e ainda pode fazer a digestão num lento passeio a cavalo no mais “autêntico” estilo nômade.
Quer saber? Muito melhor aproveitar a paisagem.


Ger districs
A população nômade da Mongólia leva esta vida há séculos. Mas isso não quer dizer que as pessoas não estejam abertas a adaptações.
São muitos os gers que, além de rebanhos, agora têm ao lado uma antena parabólica, por exemplo. Os carros de boi usados para grandes mudanças também têm sido substituídos por caminhonetes.
Perguntei em Ulan Bator se todos esses luxos não estariam fazendo com que os nômades precisassem de mais dinheiro, impulsionando o abandono da vida tradicional e a mudança definitiva para as cidades. A resposta foi negativa: “Os nômades fazem dinheiro suficiente com seu estilo de vida. E depois, quanto maiores as cidades, mais gente para comprar seus produtos.”
Hum, pensando no que aconteceu com as populações rurais de outros lugares do mundo, não pude deixar de ouvir a explicação com uma ponta de ceticismo. O fato é que, ali mesmo na periferia de Ulan Batar, a área que mais cresce é exatamente o chamado “ger district”, formado por pequenos terrenos cercados onde os moradores armam um ger e vivem. Agora, para sempre.


Era uma casa muito engraçada...
Ger é a casa tradicional da Mongólia. Feita de lona e peles de animais sobre uma estrutura circular de madeira desmontável, é perfeita para uma família nômade em um país com mudanças dramáticas de clima.
Seja nas áreas vizinhas às cidades, como no deserto ou nos vastos campos do interior, é impossível andar pela Mongólia sem ver a paisagem pintada por esses pontinhos brancos que mudam de endereço de acordo com as estações. Em cada parada, seus habitantes buscam pastos melhores para as criações ou compradores para lã, leite e carne provenientes do trabalho com os animais.
Em um país tão pouco habitado, não há problema de espaço para quem resiste à mudança para as cidades (únicas áreas em que o terreno é privado). E olhe que um quarto da população ainda vive da maneira tradicional.


Quarta-feira, Julho 18, 2007


Passado em construccao
Praticamente todo o patrimonio cultural da Mongolia foi destruido por invasores em tempos distantes e pelos comunistas no seculo XX. Do que foi um dos maiores impérios do mundo e de Gengis Khan, seu grande conquistador, só sobraram a história e algumas ruínas. Ulan Bator, capital do pais, eh um canteiro de obras. Em alguns anos, provavelmente estarah como Bangkok: ainda em contruccao, com os contrastes ainda mais evidentes. A cidade eh poluida, feia, sem personalidade. O transito jah eh da Asia: ordem no caos. Poucos semaforos que nao sao respeitados nem por pedestres, nem pelos carros japoneses e coreanos que chegam ao pais com volantes no lado direito ou esquerdo, sem distinccao. Aqui vivem 32% dos 2,7 milhoes de habitantes do pais.
Assim como a infra-estrutura turistica, boa parte das atraccoes culturais da Mongolia foram contruidas nos últimos 20 anos. Eh o caso do belo centro de meditaccao no parque nacional Terelj. Um turista desavisado daria a ele centenas de anos. Tem dez.

Um conto transiberiano
Era 5h50 da manha quando o trem saiu da estaccao. Minha unica companheira de cabine, Vera, nao falava uma palavra alem de russo. Fizemos nosso primeiro contato na lingua dos sinais. Logo apos a saida, o camareiro russo apareceu com um aspirador de po e comeccou a limpeza da cabine cantarolando "brazil is good, brazil is good..." numa melogia inventada. O rio Ankara nos acompanhou por toda a saida da cidade. Quando o perdemos de vista, apareceram dashas, casas de veraneio que povoam todas as periferias das cidades russas. Nesta regiao da Siberia, boa parte das residencias eh construida em madeira, com alegres janelas coloridas.
Passamos por campos ainda cobertos pela nevoa da manha e entramos em um longo trecho de floresta de taiga. Arrumei minha cama com o lenccol trazido pelo camareiro, Vera trocou de roupa e sentamos frente a frente com os olhos fixos na janela.
Pouco mais de hora e meia depois, aparece o imenso lago Baikal. Suas aguas transparentes nos acompanham por mais de duas horas. De tempo em tempo, o trem parava e os passageiros desciam para comprar morangos e omul, peixe caracteristico da regiao defumado e vendido pelos moradores locais. Vera comprou tres e empesteou a cabine ao entrar. Sempre com sinais, me convidou a participar do banquete. Educadamente recusei, mas diante da insistencia acabei aceitando o peixe que ela me ensinou a abrir e comer. Nao me arrependo nem um pouco. A carne tem gosto forte e eh muito saborosa. Apos nos fartarmos, limpamos tudo e seguimos em silencio.
O dia estava lindo e, apesar do sono, nao conseguia parar de olhar pela janela. O Baikal ali do lado nao acabava nunca. Parece mar.
Minhas maos cheiravam a omul.
Vera deitou-se e dormiu profundamente enquanto eu intercalava a contemplaccao da paisagem com leitura. De quando em quando, fazia um passeio pelo vagao. Nas outras cabines, as pessoas jogavam, dormiam, conversavam e comiam muito. Os russos levam realmente a serio qualquer refeiccao.
Graccas a Nikolai, o camareiro, o minusculo banheiro se manteve limpo por toda a viagem.
Passadas 7h depois da partida, paramos em Ulan Ude, jah a meio caminho da fronteira com a Mongolia. Vera escreveu em um papelzinho o numero 20, indicando que tinhamos 20 minutos na estaccao. Fomo entao caminhar. Enquanto tirava fotos, ela chegou com dois sorvetes. Ofereceu-me um e, mais uma vez, nao teve como dizer nao. A essa altura, jah nao sabia como retribuir. Quando chegamos a nossa cabine, abri minha bolsa com sanduiches, sucos e frutas secas e gesticulei que era tudo nosso. Em resposta, Vera abriu a bolsa e, de lah, saltaram compotas, paes, pepinos, tomates e um pao gigantesco. Tudo preparado por ela mesma e cultivado em sua dasha. Colocamos tudo na mesinha entre os leitos, ela sacou uma faca de 30 centimetros, cortou os legumes e comeccamos a comer. Vera explicou-me que Ulan Ude, apesar de grande, nao tinha muito trabalho e mostrou-me a diferencca entre as feiccoes das pessoas de Irkutsk e da Russia ocidental. Contou que sua familia era de Moscou, onde moravam seu filho e dois netos. Depois, comeccamos a falar sobre a Mongolia. Disse que o meu hotel ficava em uma boa area de Ulan Bator e contou que vivia meio ano na Russia e meio ano na Mongolia. Quando mostrei o pequeno dicionario que usava para me virar em russo, fez questao de escrever algumas palavras em mongol.
Ao nos aproximarmos da fronteira, a taiga foi abrindo espacco para extensas estepes.
Da cabine vizinha, apareceu um homem falando alto, uma revista aberta em punho. Levei alguns segundos para entender que se tratava de uma materia sobre bondinho no Rio de Janeiro. Mostrei as fotos a Vera, que fez questao de ler tudo.
Quando finalmente chegamos a fronteira, tivemos que espear por 5 horas. Vera me levou para conhecer a minuscula cidade e, mais uma vez, comprou sorvetes. Comemos, passeamos, voltamos ao trem depois da longa espera e seguimos caminho, agora dormindo.
No dia seguinte, acordamos jah chegando na estaccao. Saimos, fizemos uma breve despedida e seguimos nosso caminho. Sem troca de e-mail ou telefone, compreendidas a funccao e a brevidade do nosso encontro.
Foi o dia em que mais comi na viagem. Foi o dia em que fui mais cuidada em todas as viagens depois que deixei de sair com meus pais.
Esta velhinha russa transformou o que deveria ser uma aventura na sensaccao mais familiar que alguem pode sentir.
E que bom eu estar pronta para perceber.


Zarina e O Clone
Para entender este post, voce tem que saber o que foi O Clone, uma das novelas mais fantasiosas da historia da teledramaturgia brasileira. A trama, que de fato envolvia um ser humano clonado, tambem girava em torno das mazelas de Jade. Mulccumana carioca, a mocca balanccava a novela inteira entre a vida tradicional de um casamento arranjado pela familia e um grande amor.
Assim como boa parte dos brasileiros, a Russia viu O Clone. E nao tem uma pessoa para quem eu diga que sou brasileira aqui que nao fale da novela. Zaina, uma jovem mulccumana de Irkutsk, ainda era criancca quando acompanhou o drama de Jade. Conta que, na epoca, nao conseguia entender o comportamento da mocca. Ficava torcendo para que ela tomasse juizo e escolhesse o caminho certo (aquele do casamento arranjado). Anos depois, conversando comigo no internet cafe do qual toma conta, disse que a novela a ajudou a descobrir que nao existiam soh um lado bom e um lado ruim para a vida.
Isso eh que eh globalizacao.


Domingo, Julho 15, 2007


Tah chegando a hora
Bem na hora em que comeccava a achar que posso ler qualquer coisa em cirilico, tah na hora de sair do pais. Subo no trem para a Mongolia amanha cedinho, para chegar soh no dia seguinte.

Quem diria
Ironicamente, a passagem pela siberia foi muito mais facil do que por Moscou e S Petersburgo. Aqui, muita gente fala ingles, os nomes das atraccoes nao aparecem soh em cirilico e a estrutura para receber os turistas parece ser muito mais profissional. Ouvi de um guia local que isso acontece porque o dinheiro do turismo faz muito mais diferencca aqui do que nas grandes cidades. Pelo empenho dele em me arrastar para todas as lojinhas de souvenir da cidade, pode ser verdade.
Por outro lado, Irkutsk tambem eh mais perigosa do que as grandes cidades russas. Na rota do trafico da Asia central e tambem ponto de recepccao de droga (especialmente heroina), tem uma populaccao consideravel em busca de dinheiro facil para a dose diaria. E quer fonte melhor do que turista dando sopa?

Ateh a ultima
A paisagem siberiana nesta epoca do ano eh totalmente diferente daquela que vem imediatamente a cabecca quando nao temos muita referencia.
O tempo muda numa velocidade impressionante e, nao raro, faz mais calor do que em Moscou. Os campos ficam cobertos de flores, as arvores ganham um verde belissimo e nem nas montanhas sobra um pinguinho de neve para contar a historia dos 40 graus negativos dos invernos.
A lembrancca dos tempos frios, no entanto, fica bem guardada nas cabeccas das pessoas, que conscientes do privilegio que eh viver o verao, procuram aproveitar o bom tempo enquanto podem.
O lago baikal, grande atraccao da siberia oriental, assim como as margens dos rios, as praccas e os parques, ficam cheios de gente. Os russos fazem piquenique, churrasco, jogam pingue-pongue, cantam, danccam, namoram, nadam de cueca ou calcinha e sutia e, claro, bebem muito nas areas publicas. Sem pudor, sem vergonha, compartilham a felicidade de poder viver ao ar livre.

Sexta-feira, Julho 13, 2007


Siberia contagiosa
Depois de um voo complicado e mais uma mudancca de 5 horas no fuso (agora estou a 12h do brasil), finalmente cheguei a siberia. Irkutsk, a cidade em que estou, nao eh exatamente contagiante. Tem uma historia interessante, deixa mais claro como viviam parte dos exilados e fica a beira do belissimo rio Angara. Mas especialmente depois de Sao Petersburgo e Moscou, nao eh um lugar de onde se sai tirando fotos desenfreadamente. A principal atraccao artistica da cidade (uma catedral ortodoxa) foi demolida na epoca dos sovieticos e as igrejas que sobraram sao muito bonitas, mas nada excepcionais. O clima tambem nao ajuda. Quando estah quente, eh quentissimo. Quando faz frio, eh terrivel. E a chuva vem acompanhada de um ventinho que faz doer os ossos. O que realment encanta na cidade sao as pessoas. Extremamente doces, atenciosas e com um sorriso pronto para receber os visitantes, foram os grandes responsaveis pela minha pronta recuperaccao depois de tanto tempo de viagem e fizeram com que pensasse no post que vai abaixo.
Eh bem verdade: a gente dah o que recebe.

Reflexao sobre os russos
Uma das razoes pelas quais eh tao dificil viajar pela russia eh a barreira do mal-humor dos russos. Chegar perto de um deles com uma pergunta qualquer eh correr o risco de ouvir improperios ininteligiveis, ver a pessoa virar as costas e sair andando numa demonstraccao de total desprezo pela sua ignorancia ou ter que ver (sem entender) o cara virar para outro e claramente tirar um sarro da sua cara.
Para ser mais justa, isso acontece especialmente em Moscou. Provavelmente, porque a cidade eh mais dificil para os proprios russos que moram ali. A vida eh dura e ter que ser perseguido todos os dias por turistas histericos com um mapa na mao suplicando para encontrar o nome da rua em que voce passa todos os dias para o trabalho deve encher a paciencia uma hora.
E como nao existe nenhuma iniciativa do governo para facilitar a vida dos turistas (como colocar o nome romanico das ruas junto ao cirilico, pelo menos nas areas centrais) sobra mesmo para a populaccao pajear o bando de marmanjos que perambula pelas ruas tirando fotos do kremlin.
Justicca seja feita: eles ateh que sao legais.

Metrobalada
Moscou tem algumas das baladas mais seletivas do mundo. Plantados nas portas das casa noturnas, recepcionistas metidos a besta decidem quem entra e quem fica de fora. Eh o que se chama de "face control": um metodo altamente cientifico que identifica quem eh bonito, rico e/ou bem vestido o bastante para ser digno da diversao cacca-niquel dos empresarios da noite.
Isso eu jah sabia quando chegueia aqui. O que nao sabia eh que a cidade tambem tem algumas das baladas mais democraticas do planeta. Elas acontecem ao ar livre, nos parques e praccas abertos ateh mais tarde em que pessoas de todas as idades bebem, namoram, jogam conversa fora ou fazem o que der na telha -- sempre com uma garrafa na mao. Esses russos bebem muito.
O exemplo desse tipo de diversao que mais gostei foi o que chamei de metrobalada: nas passagens subterraneas do metro, um monte de gente se reune para ver bandas amadoras tocarem a noite toda. Para participar, basta jogar um punhado de moedas na caixa da guitarra de um dos musicos, comprar uma cerveja numa das muitas barraquinhas de rua e a noite estah garantida. Eh animadissimo.

Quarta-feira, Julho 11, 2007


Caminho suave
Por pura necessidade, passei a prestar mais atenccao as palavras em russo. Comeccou nas estaccoes do metro. Para achar a direccao certa, tive que ir contando as letras, juntando os sinais. Como no meu mapa soh tinha o equivalente no nosso alfabeto, naturalmente fui associando o som das palavras a escrita em cirilico. Passei a usar a formula nas buscas por internet, cafes, restaurantes e... pouco a pouco, andar pela cidade foi ficando mais facil.
De repente, percebi que estava sendo alfabetizada! E que legal ver chegar de novo aquela sensaccao magica de ir juntando os desenhos para descobrir que sao mais que isso, que tem sentido e que, juntos, formam palavras. Agora, ando pelas ruas como aquelas crianccas que, depois das primeiras aulas, comeccam a redescobrir o mundo. Vou fazendo mentalmente a ginastica da associaccao, murmurando baixinho o som das silabas, formadas lentamente. E imagine a sensaccao de vitoria quando se consegue murmurar novokuznetskaya, mesmo sem saber o que significa!
Mas tudo bem. Cada vez mais, as palavras vao ganhando sentido. Depois de descobrir o som, acostuma-se com ele e, juntando uma pista a outra, vai dando para sacar que ploshchat eh pracca, que praspekt eh avenida... o mapa da cidade se ilumina dentro da cabecca e... pronto! Jah voltei a ser um pontinho com lugar no Google Maps.


McRussia Feliz
Estou longe de ser o tipo de turista que faz questao de botar o pe em qualquer McDonald`s do mundo soh pra checar se o Seu Ronald coloca o mesmo molho em todo Big Mac que faz. Mas este nao pude perder. O McDonald`s proximo a pracca Pushkin foi a primeira loja da rede na Uniao Sovietica. Quando abriu suas portas, no inicio da decada de noventa, os russos fazim filas gigantescas para provar o sabor do capitalismo -- e para criar mais uma das imagens que marcaram a epoca.
Katia, uma russinha adolescente na epoca, conta que guardava as caixas dos lanches como lembrancca. Nao as mantem ateh hoje, claro, jah que a Russia acabou recebendo milhares de outras multinacionais nos anos que se passaram. E o que eh uma lojinha do McDonalds perto da revendedora Rolls-Royce?


Primeiras impressoes - Moscou
Eh mais dura do que S. Petersburgo. Os parques e as praccas, menos convidativos. As pessoas mais serias. Mas jah consegui me virar no metro (o que nao eh pouco, jah que todas as estaccoes soh estao escritas em cirilico).

Segunda-feira, Julho 09, 2007


Mudancca
Hoje eh dia de trem noturno para Moscou. Chegou pela manha.
Ateh lah.

Domingo, Julho 08, 2007


Recontar eh viver
Se contar a historia recente do pais aos mais novos deve ser complicado, imagine passar valores civicos. Pegue o ultimo czar, por exemplo. De chefe supremo do imperio russo, Nicolau II passou a traidor do povo no periodo sovietico para, ha alguns anos, ser convertido em martir da revoluccao. Tudo em menos de um seculo.
Haja revisao de livro escolar.





Baile russo
O ponto alto do dia deveria ter ficado por conta do Hermitage. Terceiro maior museu do mundo, o lugar tinha tudo para ganhar a minha atenccao por horas. Tomou. Mas eis que, cansada, fui lah pelo fim da tarde dar uma volta por um parque da cidade. Jah de saida, uma musiquinha chamou minha atenccao e, curiosa para ver o que era, passei a hora seguinte assistindo a dezenas de velhinhos danccarem, cantarem e se divertirem ao som da banda mais simpatica do mundo.
Pela idade, muitos deles poderiam ter vivido os 900 dias de cerco a cidade pelos nazistas. Teriam sobrevivido a Stalin tambem, tendo passado pelos altos e baixos do regime sovietico. Depois de passar fome, frio, medo, estavam ali. Vivos e, pelo menos naquele momento, felizes.
Bravos sobreviventes do seculo XX.
Saih com os olhos cheios de agua e morrendo de vontade de encontrar um internet cafe para contar a alguem.
Viva la vida!









Pontinhos brancos

Quer saber como encontrar as principais atraccoes de Sao Petersburgo? Eh soh seguir os pontihos brancos.
Noivas.
Manda a tradiccao que, logo depois da cerimonia de casamento, noiva, noivo e toda a corte rodem pela cidade para uma sequencia de fotos interminavel por tudo que eh atraccao turistica.
Vem cah, nao tem festa?








Entendeu? Eu, não.



Estrutura II

Bastou entrar no metro para constatar: sim, valeu a pena ter feito as reservas e ter comprado todas as passagens de tem antes de vir.
Nao bastasse estar tudo em cirilico, o pior de tudo eh ver a cara dos russos quando um turista se aproxima com aquele "pelo amor de deu, me ajude" escrito na testa.




Sábado, Julho 07, 2007





Colchão de prisioneiro soviético
E olha que ainda nem cheguei a siberia!







noite cinza
Cheguei a San Petersburgo no periodo em que a cidade vive as noites brancas. Noites em que o sol nao se poe, deixando a sensacao de dia interminavel. Junte a isso 7h de diferencca no fuso e estou como aquelas galinhas de granja que, sob luz artificial constante, acreditam que toda hora eh hora de botar ovo.
Comparaccao insolita, eu sei.
Mas voltando aos fatos. Minha primeira providencia (depois de tentar achar internet e telefone) foi ir ao supermercado 24h ao lado do hotel para comprar agua. A agua da cidade eh infestada por uma bacteria assassina que pode deixar quem a bebe de cama para sempre. Pelo menos, isso eh o que diz o Lonely Planet.
Jah deu pra perceber que nao eh exagero o alerta para o fato de que nao eh facil encontrar alguem com vontade ou habilidade de falar ingles. Fora isso, toda a sinalizacao eh em cirilico. To reclamando do que, neh? O pais eh deles.
Ah, sim. A razao para o titulo deste post foi essa foto que tirei as 11h30 da noite da janela do hotel.






Estrutura
Esta viagem eh diferente das outas aventuras da @TOUR (nome ficticio da agencia de turismo que meus amigos dizem que fundei para viabilizar as roubadas -- entendeu a "arroba"? -- em que eles acham que jah me meti). Foi tanta gente falando que a Russia era muito dificil para quem nao falava russo, que resolvi buscar alguma estrutura. Vim com todos os hoteis reservados (coisa obrigatoria para quem vem ao pais), passagens de trem e aviao compradas e alguns programas pre-definidos. Nao preciso dizer que estou morrendo de medo de me meter em alguma fria exatamente por causa disso. Mas vai dar tudo certo.
(acho)

cheguei!
Escrevi esta mensagem ontem, deitada na cama, frustrada, depois de procurar por mais de duas horas um lugar para postar. Sem internet, sem telefone, o hotel em que vim parar fica no meio do nada. Todo o fascinio de Sao Petersburgo ficou para o dia seguinte. Do alto, chegar a cidade parecia sobrevoar um jogo de domino. Caixotinhos de predio empilhados em serie.
Mas tah tudo certo! A viagem vai ser legal.
(acho)

Sexta-feira, Junho 22, 2007


Rodinhas
Tá decidido: vai ser a Transiberiana.
:-)))


Quinta-feira, Maio 24, 2007


Pronto! O fundo rosa voltou, mas do outro jeito estava mais horrível. Depois tento um upgrade visual de novo.

Putz, esse fundo ficou feio pra caramba.... Meu HTML tá péssimo!

Quinta-feira, Maio 10, 2007


Inverno aqui, verão lá....
Até que a Rússia não seria má idéia. Já era hora de pensar seriamente nessa Transiberiana.

Domingo, Abril 15, 2007


mais um post pra constar...

Terça-feira, Fevereiro 06, 2007


Juro que volto para postar o resto da viagem!

Terça-feira, Janeiro 09, 2007


Bebidas nacionais
Polar Ice (uma cerveja fraquinha) e Big Cola (coca-cola com menos gás e mais açúcar).


Quinta-feira, Janeiro 04, 2007


Da relatividade dos preccos
Nao precisa dizer que ninguém chega a um lugar como Salto Angel sem comprar um pacote turístico. Na maior parte das vezes, isso inclui o vôo Ciudad Bolivar >< Canaima, transporte de barco, guias, alojamento na selva, uma rede para passar as noites e comida. No nosso caso, uma pesquisa pela internet levou a um pacote de 600 mil bolívares por pessoa. Um bom precco pela complexidade da viagem, já sabíamos. Impressao confirmada quando, no mesmo grupo rio acima, encontramos gente que havia desembolsado 750 mil, 1 milhao de bolívares e (pobre canadense...) 1.250 DÓLARES por exatamente as mesmas coisas.
Achamos impressionante na hora. Mas, também nesse caso, fomos ver depois que era só uma introduccao para o profissionalíssimo esquema de turismo receptivo venezuelano.


Arepas
Nao tem prato popular na Venezuela que nao venha acompanhado de arepas (ou arepitas, como carinhosamente falam os venezolanos). Definitivamente, a iguaria nao caiu nas nossas graccas. É uma espécie de pao sírio feito à base de farinha de trigo que, quando nao vem frita e carregada de óleo, é assada e pesa. Combinada a uma certa falta de criatividade na elaboraccao dos pratos, tem sido a base de quase todas as nossas refeiccoes. Haja estômago.


Canaima
O que deveria ser apenas o ponto de partida para Salto Angel é por si uma atraccao. E com mérito. Dá vontade de ficar mais tempo. E, se soubessemos o que nos esperava depois, bem que teríamos aproveitado,


Rio acima
Salto Angel, a cachoeira mais alta do mundo, fica a mais de um dia de Canaima. Um trajeto que se percorre por rio, nas maos de guias (quase todos índios) que, na primeira corredeira, mostram toda a habilidade na conduccao dos botes em que se encolhem turistas numa mistura de fascínio e apreensao.
É uma experiência de confiacca, que faz a gente arrepiar, supirar e se entregar quando dá conta de que, no meio da selva, é o bicho mais frágil e indefeso do mundo.


Venezuela terra, água e ar
Dois dias depois de chegarmos à Venezuela, finalmente chegamos! Quer dizer, pelo menos agora dá pra dizer que comeccamos a aproveitar a viagem. Depois de pousar em Caracas, amargamos uma noite inteira num ônibus rumo a Ciudad Bolivar, emendamos duas horas em uma van caindo aos pedaccos até um arremedo de aeroporto (que até agora aposto que serve de base para tudo que é aviaozinho de tráfico da regiao), passamos momentos de terror em um teco teco de quatro lugares (incluindo o piloto) que tivemos que dividir com um carregamento de frutas até Canaima e finalizamos a peregrinaccao com tres horas num barco rio acima no meio da selva.
Se valeu a pena? Olha, valeu.
Mais detalhes, nos próximos posts.


Geladeira
Sim, minha primeira opccao para este ano era a Antártica. Mas com a temperatura nos ônibus venezuelanos, quem vai notar a diferencca?


Mercado negro oficial
Nosso primeiro contato com o venezuelan way of life aconteceu ainda no aeroporto. Fomos trocar dinheiro. Ao contrário do que acontece na maior parte do mundo, o mercado negro aqui dá as melhores taxas. Enquanto a política cambial do governo mantém o dólar a fictícios 2.100 bolívares, conseguimos a conversao a 3.000 já no saguao do desembarque. O mais curioso foi o agente da troca: um orgulhoso funcionário público, que aproveitava todos os momentos longe dos olhos da polícia local para exibir o crachá como garantia de seriedade da transaccao.
Nao sabíamos ainda, mas era só o comecco da nossa adaptaccao a um pais muito, muito especial.


Quarta-feira, Janeiro 03, 2007


Doce e meiga Caracas
Que os guias, os sites e os jornais já tivessem avisado, é verdade. Mas ouvir dos próprios caraquenhos que nem pensássemos em passar algum tempo em Caracas porque a cidade era muito violenta, foi uma surpresa e tanto. Os alertas mais inflamados comeccaram já no aeroporto, com "nao confie em ninguém, nao pegue táxi desconhecido, nao ante sozinha pela rua". Paulistana escaldada com a violencia, cheguei a pensar que essas coisas eram problema para gringos desavisados. Resolvi ver se valia a pena. A cidade é bonita? "Nao". Vale a pena fazer alguma coisa lá? "Nao".
Entao, tá. Sai Caracas dos planos, vamos ver o que o resto da Venezuela tem a oferecer.

Aqui!
Na Venezuela há quase dez dias, finalmente consegui encontrar um lugar com acesso a internet (e um banho quente e eletricidade e comida e transporte confiável). Chegamos a Mérida, na parte andina do país, onde o clima é mais ameno, as pessoas mais atenciosas e, aparentemente, estamos mais longe de golpes e assaltos. Passamos pela selva e pela praia, vimos coisas muito bonitas e outras nem tanto. Nos próximos posts, conto com mais detalhes. Só nao vai dar para fazer tudo hoje, porque estou cansada e nao vejo a hora de jantar.



Quarta-feira, Dezembro 13, 2006


Venezuela
Decidi: Hugochavezlândia, lá vou eu!

Segunda-feira, Novembro 27, 2006


Entre Antártica e Arábia Saudita
Chega o fim do ano e a época das dúvidas cruéis: onde atualizar o blog nessas férias? A Arábia Saudita anda regulando o visto e os navios da Antártica já estão cheios.... Alguma dica??

Sexta-feira, Outubro 27, 2006


Já tem dois anos, mas ainda dá um frio na barriga rever a aventura de atravessar uma rua no Vietnã



Segunda-feira, Setembro 11, 2006


só pra constar, ou o blog vence.

Domingo, Agosto 13, 2006


Aos sonhadores
O Planetário do Ibirapuera reabre em setembro!


Terça-feira, Agosto 01, 2006


A ONU, pra que serve mesmo?


Terça-feira, Julho 11, 2006


Ser humano de segunda categoria
Bombas em trens de Mumbai. Mais de 160 mortos, 400 e tantos feridos.
Na imprensa, chamadas tímidas, matérias básicas. Pouquíssima repercussão além do cumprimento de tabela.
Em 2004, Madri teve quase o mesmo número de mortos. No ano seguinte, Londres contou 56 vítimas fatais. Falamos tanto, lastimamos tanto, perguntamos tanto!

Por que choramos menos pelos indianos?




Domingo, Junho 25, 2006


"Ustedes habrán experimentado muchas veces esa vaga ansiedad que se siente al partir a tales horas hacia un lugar que no conocemos"
Álvaro Mutis


Thumbsucker, o filme
Conclui Perry: "O grande truque é viver sem uma resposta"


Sexta-feira, Junho 23, 2006


Mais um ano
Como todo vinteetresdoseis, uma delícia.

"Muerto no es el que en paz descansa en la tumba fría. Muerto es el que tiene muerta el alma y vive todavía"
Frida Kahlo

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